Mentes Perigosas: O filho de Sam - David Berkowitz





David Richard Berkowitz, nasceu em 1 de junho de 1953, mais conhecido como o Filho de Sam ou O Assassino da calibre .44. Um serial killer americano, que aterrorizou a cidade de Nova York na década de 70.

Foi preso em 1977, confessou vários crimes e todos os crimes ele utilizava o mesmo revólver "Charter Arms Bulldog calibe .44". Berkowitz continua cumprindo pena por seus crimes até hoje.
Em depoimento ele mudou a versão dos crimes diversas vezes, chegou a dizer que era atormentado por um demônio que possuíra o corpo de um cachorro chamado Harvey, que pertencia ao seu vizinho "Sam"  e que esse demônio ordenava os crimes e ele simplesmente obedecia.

Em outra ocasião, confessou alguns crimes e disse que outros foram cometidos por um "culto satânico" do qual ele fazia parte, alegando que tudo aquilo fazia parte de um ritual. Obviamente essa foi a versão que ficou como a "certa".
Ele sempre dava novas versões para os casos, sempre dando novas explicações de acordo com o que as pessoas falavam. Cada um que desse sua versão e ele confirmava com cada uma delas.
Apesar de tudo, de todas as tentativas de parecer louco com suas versões mirabolantes, foi constatado que ele era mentalmente capaz e que poderia ser julgado normalmente.

Muitos policiais acreditavam que realmente existia o envolvimento de outras pessoas nos crimes, o caso foi reaberto em 1996 e 2004 e continua em andamento.
Berkowitz também foi implicado em muitos incêndios não resolvidos na cidade e costumava deixar cartas zombando dos crimes e da polícia e sempre prometia mais crimes.
Tudo era intensamente divulgado pela imprensa e assim continuava a onda de terror.
David parecia gostar de toda aquela exposição, se sentia uma celebridade com tantos holofotes. Inclusive, no dia em que foi preso em seu apartamento não mostrou medo, até ria da situação.

Seus primeiros anos:
Ao nascer recebeu o nome de Richard David Falco, Brooklyn, Nova York. Sua mãe se chamava Betty Broder, foi casada com Anthony Falco. Desse relacionamento tiveram uma filha e logo se divorciaram. Após o divórcio sua mãe teve um caso com um homem casado, Joseph Kleinman e engravidou logo em seguida. Foi sugerido um aborto por parte do "pai", mas Betty resolveu continuar com a gravidez e registrar o filho como sendo de Anthony Falco(o ex-marido).

Com poucos dias de nascido, foi adotado pelo casal de comerciantes, Pearl Berkowitz e Nathan, que logo mudaram seu nome e acrescentaram o sobrenome da nova família. Desde sempre David soube que tinha sido adotado, seus pais nunca esconderam isso dele.

O jornalista John Vincent Sanders escreveu que na infância, David era muito inteligente, mas que aparentemente perdeu o interesse pelas aulas e começou a mostrar tendências piromaníacas. Sua mãe adotiva morreu aos 30 anos de câncer e ele não gostou nada da nova esposa de seu pai.
Disse até que sua madrasta praticava bruxaria e ocultismo. Berkowitz era muito apegado a sua mãe adotiva e aos poucos foi se distanciado de seu pai.

Em 1971, aos 18 anos se alistou no Exército imaginando que iria para o Vietnã e se tornaria um herói de guerra, mas infelizmente os planos não saíram como o esperado e ele acabou sendo deslocado para a Coreia do Sul. Foi treinado como atirador de elite e adquiriu muita experiência com armas.
Ainda na Coreia, David tentou ter algum relacionamento com prostitutas, mas não teve muito sucesso. Ele se sentia deslocado, completamente diferente. Não conseguia se relacionar com ninguém e era extremamente frustrado com sua vida sexual.

Em 1974, Berkowitz encontrou sua mãe biológica, Betty Falco e depois de algumas visitas ele ficou sabendo dos detalhes de seu nascimento "ilegítimo".  A notícia foi devastadora para David, que ficou extremamente perturbado com a história e seus "pais".
Sua primeira crise, parecia não saber mais quem era, acabou afastando-se de sua mãe biológica, mas manteve o contato com a sua meia-irmã, Roslyn.

Após deixar o Exército, teve vários outros empregos e na época de sua prisão trabalhava como carteiro.
Em junho de 1976, um amigo do Exército presenteou David com uma Charter Arms Bulldog calibre .44.

Começando os crimes:
Em 1970, Berkowitz começou a cometer crimes violentos. A primeira vítima foi com uma faca, mas ele não conseguiu finalizar o crime e mudou para uma arma de fogo e daí começou sua longa jornada de crimes. Tinha preferência por mulheres de cabelos longos, escuros e ondulados.
Gostava de atacar suas vítimas principalmente quando estavam sentadas em carros estacionados e sempre costumava voltar ao local do crime, sempre voltava para a cena do crime, era como um troféu.

Miclhelle Forman - Esfaqueada

David alegou que cometeu seu primeiro ataque na véspera de Natal de 1975, onde usou uma faca de caça para esfaquear duas mulheres. Uma das vítimas nunca foi identificada pela polícia, mas a outra foi uma adolescente chamada Michelle Forman, que foi hospitalizada com sérios ferimentos. Berkowitz nem era suspeito desses crimes na época.
Pouco depois, Berkowitz mudou para o apartamento em Yonkers.

Donna Lauria e Jody Valenti -  Tiroteio

O primeiro tiroteio aconteceu na manhã de 29 de julho de 1976, duas mulheres, Donna(18) e Jody(19), num veículo estacionado do lado de fora da residência.

"Donna abriu a porta e viu que um homem se aproximava rapidamente carregando uma sacola de papel, ele tirou um revólver da sacola e disparou três vezes. Donna morreu imediatamente, Jody levou um tiro na perna e conseguiu sobreviver. O atirador fugiu logo em seguida".
Jody não reconheceu o assassino. Ela o descreveu como um homem de 30 anos branco, de cabelo curto.

Em depoimento, Berkowitz disse que os membros do culto participaram ativamente desse crime, que vigiaram e seguiram as vítimas o tempo todo.
Os crimes continuaram com a mesma intensidade e sempre praticados com a mesma arma.

Cartas:
Em uma das cenas de crime um policial descobriu uma carta escrita à mão, endereçada ao capitão da NYPD Joseph Borrelli.
"O autor da carta admitia ser um monstro e dizia ser o "Filho de Sam". Dizia que Sam gostava de beber sangue para se manter jovem e o ordenava para "sair e matar" ("Go out and kill"). "Papa" Sam o mantinha preso no sótão e com isso ele via o mundo pela janela, sentindo-se um desajustado. Para parar de cometer assassinatos tinha que ser morto. Ele não queria matar mais, mas o fazia em honra de seu pai. Desejava uma feliz Páscoa para os moradores do Queens e que voltaria".

Depois de consultar vários psiquiatras, a polícia divulgou um perfil psicológico de seu suspeito em 26 de maio de 1977. Ele foi descrito como neurótico e provavelmente sofria de esquizofrenia paranoica e acreditava ser uma vítima de possessão demoníaca.

Carta para Breslin:
Em 30 de maio de 1977, o colunista Jimmy Breslin do New York Daily News, recebeu uma carta manuscrita de alguém que se dizia o assassino da .44. A carta foi postada em 30 de maio em Englewood, Nova Jérsei. A carta trazia a pergunta "What will you have for July 29?" interpretada como uma ameaça de crime no aniversário da primeira aparição do assassino.
Houve pânico na cidade após a divulgação da carta e a polícia recebeu centenas de denúncias.
As mulheres de cabelos escuros passaram a pintá-los de outra cor e várias passaram a usar perucas. Durante um dos verões mais quentes registrados, o povo permaneceu dentro de suas casas, onde se sentiam seguros.

Berkowitz continuou com os ataques normalmente até que uma multa de trânsito o levou a ruína.
Uma testemunha contou a polícia que viu Berkowitz rondando pela vizinhança e retirar o bilhete de multa de seu Ford Galaxie amarelo. Apesar de tudo, a polícia não o tratava como suspeito dos crimes e sim como uma simples testemunha. Até que o sargento Mike Novotny resolveu fazer umas ligações e saber um pouco mais sobre seu novo "suspeito". No dia seguinte, a polícia acabou investigando a rua e o carro de David. No carro foram encontrados um rifle, munições, mapas das cenas dos crimes e uma carta especialmente para o sargento responsável pelas investigações, com várias ameaças de assassinatos.

A polícia ficou de tocaia esperando Berkwitz sair de seu apartamento. As 10 horas da manhã ele saiu, carregando sua .44 Bulldog num saco de papel, como de costume.
Foi preso imediatamente, na frente de seu apartamento em Yonkers, em 10 de agosto de 1977.
Seu apartamento foi revistado e foram encontrados diversos desenhos satânicos nas paredes, junto com um diário.

Em 1979 Berkowitz sofreu um atentado à faca na prisão, recusando-se a identificar o agressor, mas sugeriu que o culto estava por trás. Ele ficou com uma cicatriz na garganta. Em 1987 ele se "reconverteu ao Cristianismo". Há quem acredite até hoje que ele não agiu só e que realmente existia um culto.





Fontes:
www.nndb.com - Último acesso: 16 de setembro de 2019
Web.archive.org - Último acesso: 16 de setembro de 2019
Web.archive.org - Último acesso: 16 de setembro de 2019
Crime Museum - Último acesso: 16 de setembro de 2019
Canal Ciências Criminais - Último acesso: 16 de setembro de 2019
en.wikipedia.org - Último acesso: 16 de setembro de 2019